COFUNDADOR DO FESTIVAL BURNING MAN MORRE AOS 70 ANOS

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Larry Harvey idealizador de evento, arte e contracultura em deserto teve ataque cardíaco e morre aos 70 anos

O co-fundador do festival Burning Man, Larry Harvey, morreu aos 70 anos, de complicações de um ataque cardíaco sofrido no dia 4 de abril. A diretora executiva do Burning Man Project, Marian Goodell, diz que ele faleceu no sábado de manhã em um hospital em São Francisco, Estados Unidos. Harvey criou o Burning Man em uma praia de São Francisco em1986, e depois transferiu o evento para o deserto de Black Rock, no estado de Nevada. No festival de contracultura, cerca de 70 mil pessoas se reunem anualmente criando uma cidade sem governantes, autoregulada, com apresetanções de música e teatro organizadas pelos próprios participantes.

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A ideia surgiu quando Larry Harvey e seu amigo Jerry James decidiram celebrar o solstício de Verão queimando uma escultura de um homem de madeira com oito metros de altura. Dezenas de curiosos assistiriam a cena, e Harvey decidiu repetir a performance. No quarto ano já somavam 800 pessoas que iam ao evento do americano, que hoje movimenta dezenas de milhares. O Burning Man preza pela liberdade total de expressão artística, influenciado por ideais dos movimentos hippie, ecológico e de cibercultura. A edição deste ano acontece no mês de agosto.

Em entrevista à BBC, em 2016, Larry Harvey explicou que na primeira vez queria assinalar “o aniversário do rompimento de uma relação passional”. Porém, depois, surgiram versões bem mais criativas a justificar a performance: que ele estaria a queimar a própria namorada, ou o advogado dela. “Eu fi-lo, apenas, porque queria fazer algo de interessante; nem sei de onde veio o homem de madeira”, acrescentou.

“Dez mandamentos”

Com o tempo, e fruto da atenção que foi conquistando ano a ano, Harvey criou uma espécie de filosofia a presidir à organização do festival, que acabou por verter numa tábua com “dez mandamentos”, entre os quais pontuavam princípios (e exigências) de radicalismo, inclusão, participação, comunitarismo, auto-expressão, imediatismo, gratuitidade.

No início da década de 90, Larry Harvey transferiu a iniciativa para o deserto do Nevada e, ano após ano, o número de participantes foi crescendo. Na edição de 2017 – que ficou marcada pela morte de um participante –, a organização contabilizou cerca de 70 mil presenças, e o orçamento do festival chega aos 30 milhões de dólares (quase 25 milhões de euros).

Nunca foi fácil definir com precisão em que é que consiste o festival Burning Man, além de se saber que termina com uma espécie de equivalente à “Queima do Judas” no final da Quaresma em Portugal. A esta “rave do deserto” já chamaram “retiro espiritual”, “carnaval cibernético”, “feira alucinogénia”, “uma declaração de independência da contracultura”, ou apenas uma desculpa para se passar uma semana no meio de intenso calor e das tempestades de areia do deserto.